
União Estável: Entenda os Impactos Jurídicos e Como Proteger Seu Patrimônio
A união estável é um tema de grande relevância no direito de família brasileiro, principalmente porque pode impactar diretamente aspectos jurídicos e patrimoniais das partes envolvidas. Apesar de muitas pessoas não compreenderem completamente o conceito ou suas implicações legais, ele é amplamente reconhecido pela legislação como uma forma de constituir uma entidade familiar.
O Que É a União Estável?
A união estável é definida pela legislação brasileira como uma convivência pública, contínua e duradoura entre duas pessoas com o objetivo de constituir uma família. Diferentemente do casamento, ela não exige formalização prévia e não altera o estado civil das partes envolvidas. É uma forma de proteger juridicamente pessoas que optam por conviver juntas, sem necessariamente realizar um casamento.
Um ponto importante sobre a união estável é que não existe um tempo mínimo de convivência para que ela seja reconhecida. Isso significa que, mesmo em períodos curtos, como um mês, caso seja comprovado que houve o objetivo de formar uma família, ela pode ser juridicamente reconhecida.
Características Fundamentais
Para que uma união estável seja reconhecida, alguns elementos devem estar presentes:
Como a União Estável É Reconhecida?
A união estável pode ser reconhecida de duas formas: administrativamente, por meio de um registro em cartório, ou judicialmente, em casos onde há disputa sobre sua existência.
Registro em Cartório
Uma das formas mais simples e seguras de formalizar uma união estável é registrar um contrato em cartório. Nesse documento, o casal estabelece a data de início da convivência e pode definir o regime de bens aplicável à união. Essa abordagem elimina a necessidade de apresentar provas ou testemunhas para comprovar a relação, o que é especialmente útil em situações de dissolução da união.
Reconhecimento Judicial
Em muitos casos, a união estável é reconhecida judicialmente, geralmente quando a relação já terminou e as partes estão em disputa sobre a partilha de bens ou outros direitos. Nesses processos, cabe ao interessado comprovar que a união existia. Provas comuns incluem:
• Comprovantes de endereço comum.
• Fotos e registros em eventos sociais.
• Testemunhas que atestem a convivência.
• Contas conjuntas ou divisão de despesas.
• Aquisições patrimoniais feitas em conjunto.
O reconhecimento judicial pode ser mais complexo, pois exige a análise de provas para determinar se houve, de fato, uma união estável.
Implicações Patrimoniais da União Estável
Uma das questões mais importantes relacionadas à união estável são suas implicações patrimoniais. Pela legislação brasileira, quando uma união estável é reconhecida, aplica-se automaticamente o regime de comunhão parcial de bens, salvo se as partes tiverem definido um regime diferente.
Comunhão Parcial de Bens
No regime de comunhão parcial, todos os bens adquiridos onerosamente (ou seja, comprados) durante a vigência da união estável são divididos igualmente entre as partes em caso de dissolução. Por exemplo:
Se um dos parceiros compra um carro ou imóvel durante a união, esse bem será dividido ao meio, independentemente de quem pagou.
Caso o casal ganhe um prêmio ou realize investimentos durante a união, os rendimentos serão igualmente partilhados.
Essa regra também se aplica retroativamente, desde o início da união reconhecida. Por isso, estabelecer claramente a data de início da união é essencial para delimitar o período de comunhão de bens.
Alternativas de Regime de Bens
Assim como no casamento, é possível definir outro regime de bens na união estável. Isso pode ser feito por meio de um contrato em cartório. Os regimes possíveis incluem:
Separação total de bens: Nesse regime, cada parceiro mantém a propriedade exclusiva de seus bens, sem partilha em caso de separação.
Comunhão universal de bens: Todos os bens, adquiridos antes ou durante a união, tornam-se propriedade comum do casal.
Participação final nos aquestos: Uma alternativa menos comum, na qual cada um mantém seus bens adquiridos individualmente, mas os bens acumulados durante a união são partilhados.
A escolha do regime de bens deve ser formalizada no contrato de união estável. Sem essa formalização, a legislação aplicará automaticamente a comunhão parcial.
Importância de Formalizar a União Estável
Muitas pessoas optam por não formalizar a união estável acreditando que isso evita complicações futuras. No entanto, essa é uma abordagem arriscada. Se a união for posteriormente reconhecida judicialmente, os bens adquiridos durante o período de convivência poderão ser partilhados conforme o regime de comunhão parcial.
Além disso, a formalização da união estável em cartório oferece maior segurança jurídica e transparência para ambas as partes. Ela também permite que o casal escolha o regime de bens mais adequado à sua realidade, evitando conflitos futuros.
Dicas para Proteger Seu Patrimônio
Formalize a união estável em cartório. Isso evita disputas judiciais e permite definir o regime de bens.
Escolha o regime de bens adequado. Avalie suas necessidades e converse com um advogado para escolher o melhor regime.
Registre a data de início da união. Isso delimita o período em que o patrimônio será compartilhado.
Documente aquisições individuais. Guarde recibos e comprovantes que mostrem quais bens foram adquiridos antes ou fora do período da união
Caso essa seja a sua situação e/ou preocupação, agende uma conversa conosco. Teremos a satisfação de lhe orientar a respeito.